OPERAÇÃO CUMPRA-SE A LEI SERRA DO NAVIO 22/11/19 SINPOLAP

Para se chegar na Delegacia de Polícia de Serra do Navio, que fica na Comunidade da Colônia de Água Branca, distante a 7 Km da Vila de Serra do Navio e mais de 20km de Pedra Branca do Amaparí, tem que se enfrentar mais 110 km de estrada de terra para se registrar um simples boletim de ocorrência.

Assim sendo após percorrer mais mais de 200 km para chegarmos ao nosso destino, acompanhados pelos policiais civis Itamir Lima, Marcilene Lucena e José Maria Rocha, respectivamente presidentes da FEPOLNORTE, FEIPOL-CON e diretor financeiro do SINPOL/AP, finalmente chegamos à delegacia da cidade, que na verdade não fica na cidade, mas na Colônia de Água Branca, uma comunidade longínqua do centro urbano.
Para quem vai de carro o trajeto é árduo, pois a “estrada” de chão, do tipo solo lunar, no inverno se transforma em verdadeiro lamaçal e no verão em um poeiral; para quem tem bicicleta ou moto o percurso que leva à delegacia se transforma em via crucis, tamanho o sacrifício, haja vista o caminho de acesso ser totalmente ermo, sem iluminação, sem pavimentação ou sinalização. Para quem não tem nenhum outro meio de transporte, aí o caminho é uma penitência.

 

O cidadão que precisar ser atendido na DP tem que ter um pouco do dom da adivinhação, de vez que ao sair da cidade não se encontra ninguém a quem pedir qualquer informação.
Como para quem participa da OPERAÇÃO CUMPRA-SE A LEI missão dada é missão cumprida, chegamos à delegacia.
Ao visitarmos as dependências do prédio constatamos as precaríssimas condições de trabalho no ambiente insalubre; prédio em lastimável estado de conservação; péssimas condições dos poucos materiais e equipamentos, tais como: viatura quebrada; EPI’s fora da data de validade, falta de computadores, entre outros.
Em conversa com policiais lotados naquela DP, fomos informados que o telefone fixo há muito, muito tempo não funciona; o rádios de comunicação instalados há mais de dois meses jamais funcionaram. Para completar a situação caótica, não foi instalada internet.
Somando-se à situação deprimente e degradante, a acessibilidade da população à DP ainda poderá se agravar de vez que, segundo informações colhidas no local o ônibus, que raras vezes faz o trajeto até à colônia, deverá ter a linha de tráfego interrompida.
Os policiais que ali trabalham estão completamente isolados, ilhados, abandonados e incomunicáveis, fato que dificulta deveras o atendimento à população de Serra do Navio e comunidades adjacentes.
Após um dia cansativo e intenso, novamente tivemos que percorrer mais de 200 km para retornarmos à Macapá, mas o fizemos com a certeza do dever cumprido.
O SINPOL/AP se solidariza com os abnegados policiais civis da DP instalada na comunidade de Água Branca que, apesar de todas as mazelas, seguem firmes no propósito de atender a população da melhor forma possível, prova maior de que a profissão policial é um verdadeiro sacerdócio.
Diante de tanto descaso resta-nos suplicar às autoridades competentes que se lembrem que
A segurança pública, dever do Estado, direito e responsabilidade de todos, (…)” ( CF/88, com supressões e grifo nossos).

Aquele que te guarda não dorme

Força guerreiros!
Avante!

Macapá, 04 de dezembro de 2019

Narcisa Ardasse Monteiro
Presidente do SINPOL/AP